25.1.08

Porque os janopeses falam muito né

Neste ano é comemorada o centenário da imigraçao japonesa para o Brasil. O principal destino foi São Paulo, a cidade que possui a maior concentraçao de japoneses do mundo - excluindo-se da conta as cidades do próprio Japao, claro. Isso quer dizer que tenho muito contato com japoneses e uma das piadas mais antigas sobre japoneses é aquela do "né".

Diz a lenda que toda frase dita por japoneses termina em "né". "Pastel bom, né?" Eu tenho grandes amigos que são sansei, nissei ou "não sei". Quando alguns brincam e dizem que sao "não sei", eu os compreendo perfeitamente. Afinal já faz um século que os seus antepassados chegaram da terra do sol nascente em navios apertados para buscar perspectivas no eterno país do futuro. Foram fundamentais para São Paulo se transformar nessa coisa gigante. Se integraram perfeitamente com o Brasil, com o brasileiro. Tão bem que alguns até arriscam a jogar futebol (piada de mau gosto).

A cultura japonesa é fascinante e muito vasta. Poderia tecer teses e teses que não seriam suficientes. Mas é que hoje descobri que porque os japoneses sempre falam "né". Lembro que de desde criança tenho essa idéia. E me lembro de fazer a piadinha muitas vezes com os colegas e amigos. Outro detalhe também me intrigrava: porque eles sempre falam e mexem a cabeça para cima e para baixo, rapiadmente e com a graça própria dos japoneses?

Estou na Espanha há quase dois meses, tempo em que aproveito para aprender a língua e para conhecer melhor a cultura do lugar. Um pouco da tão aclamada cultura e civilidade européia. Esse assunto tambem renderia muitos trabalhos acadêmicos, vou acabar com o mistério e dizer como eu descobri isso. (Se é que isso pode ser qualquer novidade!)

Não conhecer um idioma é difícil. Engasga, para muito pra pensar, troca os verbos e as pessoas e tudo que tem direito. Se fazer entender é quase uma arte e, para saber se o interlocutor entendeu, fazemos uma pergunta. No meu caso, todas as vezes que acabo de falar solto um "¿sí?". "Muchas gracias, sí?". O mecanismo é o mesmo nos japoneses. Eles só trocam pelo "né?". E isso foi passando como uma caracterista do brasileiro com ascendencia japonesa, um traço cultural.

Meus amigos, pelo menos, falam muito né.

3.7.07

INFERNO DE QUERUBINS

Temos olhos, mas não enxergamos as coisas. Não chegamos nem perto de enxergá-las devidamente. Se todos que de alguma forma rezam no mundo pedissem para o seu respectivo deus um par de óculos para hipermetropia acho que a salvação que tantos querem chegaria, imponentemente, na forma de um óculos de grau.

Qualquer um que não seja literalmente cego tem que concordar comigo. Basta dar uma olhada mais atenta ao seu redor, reparar bem nas pessoas, nas roupas, nas caras e feições. Especialmente nas feições. Muitas vezes a cara bem barbeada e a roupa impecável estão estampadas em rostos com traços tristes e sofridos, vazios.

Experimente observar o que há a sua volta, enxergar melhor as coisas. Somos marcados pelo individualismo, é como se vivêssemos em uma bolha de silício que flutua pelo mundo. Totalmente à parte, acostumados com som mp3 ambiente e coca-cola gelada. Lemos o jornal e vemos manchetes absurdas enquanto tomamos café para ir trabalhar. Não peço aqui que largue o seu respeitável emprego para ser um revolucionário sonhador, como gosta de taxar a mída os que se sentem sufocados e se incomodam em respirar essa atmosfera de medo e pobreza.

Aliás, se você tiver algum medo de se tornar um revolucionário sonhador é melhor continuar na sua bolha de astronauta. Pois se resolver olhar melhor à sua volta pode ver coisas horrendas. Como a que eu vi outro dia.

Saí do trabalho, no centro da cidade de São Paulo, coração gigante e negro de um corpo doente chamado Brasil. Às seis horas a Praça da Sé, onde pego o metrô para ir embora, é uma melancolia só. A disparidade entre os mundos que freqüentam aquele lugar e que respiram o mesmo ar é tão grande que muitas vezes chega a ser cômica. Como dizem, é rir para não chorar. Mas não podemos rir de tudo. Isso é estupidez.

Enquanto prostituas marcam ponto, respeitáveis advogadas pegam seus carros para irem para os seus confortáveis lares. A puta fica ali mesmo, passando frio com os peitos quase de fora. A vida inteira foi dura. O que é um mamilo duro de frio para ganhar a vida? Velhas malucas gritam com seus pais e ninguém dá a mínima atenção. "Mora na rua, pobre velha maluca. Chegou a conhecer seu pai algum dia?"

Não me importo e, como todos os outros, sigo o caminho iluminado por luzes amarelas que refletem nos muros pálidos da catedral da Sé e borram a paisagem, como num esforço para apagar tudo aquilo. Mas é impossível. A angústia me persegue e penso se ela também persegue os outros. Se, como eu, eles escrevem para exorcizar esses fantasmas. Fico absorvido pelo pensamento e o que era borrão vira névoa, toma ares de sonho ou pesadelo.

O sentimento ruim cresce, num pavor que culmina com uma visão mais perturbante ainda. Mas não, não era o chupa-cabras ou o homem do saco. Na verdade, vemos uma cena que se repete diariamente – menos nas nossas bolhas. Era uma criança de rua, parada na frente de uma lanchonete. Só isso, nada de mais.

Mas experimente observar as coisas. Foi o que fiz no momento: reparei bem na criança. Nas sandálias gastas, na perna magra e toda arranhada, na bermuda bege e suja que se fundia com o seu corpo. No moletom vermelho e surrado. Na cara preta, nas narinas abertas e no olhar. Na expressão de raiva ou ódio ou dor ou carência. Por que uma criança tinha aquele olhar? Estava apenas à espreita, esperando um desavisado ou desavisada da sua desgraça passar para dar o bote. Pode ser que ele não cometesse nenhum crime como pensei, mas somos induzidos a isso. E a telinha da nossa bolha nos mostra isso.

Mas não mostra porque aquela criança tem o olhar de um malandro. Nem porque o malandro tem olhar de malandro. É como se tudo fosse assim e pronto. E não é. Como vive aquela criança, morando em um banco de praça, cobiçando algo que não terá – roupa, conforto, comida, família.

Tomei outra direção e desci as escadas do metrô, pensando a que ponto a coisa chegou: se as crianças, os querubins, vivem no inferno, onde nós vivemos? Ou melhor, achamos que vivemos em que lugar? Nesse ritmo frenético de vida, em que buscamos viver mais para sofrer mais, as coisas passam desapercebidas. Vou começar a rezar para deus mandar um óculos de grau.

30.5.07

Não aceite bala de estranhos

Quem, quando criança, nunca escutou este sábio conselho das suas mães? Quando saíamos sozinhos, sempre escutávamos esta recomendação. “Podem colocar drogas filho”, dizia a minha mãe. Aprendi bem isto e nunca aceitei bala de estranhos e, talvez por isso, hoje estou aqui escrevendo esse texto.

Mas nem todos têm a chance de receber este carinho materno. Como Guilherme, que morreu ontem. Com apenas 17 semanas de vida, ele descobriu que o mundo é um lugar nada propício à vida. Descobriu antes que sua mãe, Flávia Silveira da Silva, não percebeu em 25 anos de vida.

Sem saber, Guilherme desrespeitou uma das regras de ouro das mães – aceitou bala de estranhos. Não por opção. Nem por falta de aviso, afinal Flávia não teve a chance de dar esta recomendação ao filho. Pode ser que, no meio dos planos que fazia para o garoto que deveria chegar daqui a cinco meses, a mãe pensasse em dizer isto.

Mas uma troca de tiros em São Bernardo do Campo impediu Flávia de aconselhar o filho sobre isto e uma infinidade de outras coisas. A futura mãe foi atingida por uma bala – que não tinha drogas, mas pólvora – perdida que selou o seu destino e o de Guilherme. Mais uma vida ceifada, mais potencial desperdiçado brutalmente. Mais dor, mais revolta.

Registro, para os meus leitores fantasmas, os meus sentimentos de tristeza.

24.5.07

Canalhice e mais canalhice

E o Lula, hein? Grande líder sindical, primeiro presidente dito de esquerda da história do país. Especialista em reclamar e cobrar soluções que nunca vêm. Chegou ao poder cercado de expectativas e decepcionou. Conseguiu a reeleição – as expectativas excederam os desapontamentos. E mais uma vez, o presidente vai decepcionando.

É só o que podemos dizer da gestão Lula. Especialmente a maioria que o conduziu e o reconduziu ao poder. Operários da Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, estão experimentando bem o governo do povo. Ao ocuparem a instalação para reivindicar direitos despertaram a ira do patronato. E o patrão neste caso é o Lula, que mandou o exército lidar com a situação. Como os ditadores militares faziam nos grandes comícios do ABC no início dos anos 1980.

A semelhança com um estado policial não pode deixar de ser notada nesta situação. O direito de reivindicar e de se manifestar livremente é garantia constitucional. Prefiro me manter a parte da discussão de escândalos e “apagões”. Tais problemas são processos históricos. O que espanta é a delicadeza de um elefante com o ego lá em cima para lidar com a situação no Pará.

Bem disse a associação de magistrados, que não me recordo o nome agora, que algumas posturas do governo são dignas de um governo autoritário. Tal manifestação foi motivada pelo episódio que envolve o ministro do STF Gilmar Mendes e a PF – que vazou o nome de Mendes e causou constrangimento público ao ministro, que classificou o ocorrido como canalhice.

Sem dúvida uma canalhice, prova de que a PF é muitas vezes usada como instrumento político. Uma pena que a associação de magistrados tenha apenas se manifestado em relação ao “episódio Mendes”, quando deveria também – e principalmente – ter se manifestado no caso dos trabalhadores paraenses. Mas os juristas pouco se importam com os trabalhadores.

O espaço dado na mídia para os dois assuntos também é desproporcional. Preocupada com as fofocas do planalto a imprensa se esquece da sua função social e da sua importância no debate público acerca de questões que interessem a maioria. E o exército em cima dos trabalhadores.

E já que estamos falando na mídia, a cobertura da ocupação da USP também é lamentável. Apenas fontes que estão do lado oposto dos estudantes na ocupação da reitoria ganham relevância, sendo os alunos tratados como foras da lei e baderneiros. O que se percebe é justamente o contrário. Os foras da lei, pelo menos moralmente, são o governo de SP, a Justiça que impôs a desocupação e a PM que pode usara força – até desproporcionalmente, como de costume – para retirar os estudantes.

Mesmo dando algum espaço para o sindicato de trabalhadores, para os professores da USP e para um ou outro manifestante, o que tira a força da manifestação, que está justamente na coesão dos alunos, é insuficiente. Prova é que nenhum grande veículo publicou o documento produzido pelos estudantes no qual eles se defendem, explicam sua posição e as suas reivindicações.

Mas é isso mesmo, dr. Gilmar Mendes. A canalhice impera no Brasil. E para nossa infelicidade, ela se estende além do nome do senhor.

7.5.07

Virada Cultural

Não é nenhum furo de reportagem, mas São Paulo é uma das maiores cidades do mundo. Apesar de toda segregação social que existe na cidade, em alguns momentos é possível se sentir como se conhecesse bem toda a vida que pulsa nesse músculo gigante de concreto. Bom, tudo isso é questionável. Mas o que importa é que senti isso ontem, na Virada Cultural.

O evento é feito desde 2004 e na edição deste ano estima-se que, só no primeiro dia de festa, 3,5 milhões de pessoas circularam pela cidade. É muita gente. E gente de todos os tipos, também. Como uma paella ou uma feijoada: uma mistura de elementos culturais incrível.

Foi a primeira vez que fui à Virada Cultural. E me arrependo de não ter ido outras vezes. Apesar de o som estar muito baixo no palco Sé e de realmente muita gente ter ido, o que acabou lotando demais, gostei de mais do evento. Era como se estivesse contagiado por um clima de festa, mesmo cercado por muita miséria. E é quase surreal ir numa festa em São Paulo na praça do centro, como se vivêssemos em Pindamonhangaba: todo mundo foi pra festa no centro da cidade.

Comentei várias vezes com meus amigos esse “clima”. Ele ainda era reforçado pela mistura incontrolável de pessoas – do mendigo que quer cinqüenta centavos para também tomar uma bebida até as patricinhas tirando fotos com seus celulares. Tem a galera moderna, os punks, os gays e as lésbicas, os malandros, os trabalhadores com seus filhos, os espíritos solitários, os bichos-grilo, e a todas as outras pessoas. Inclusive eu, há!

E o centro estava bonito até. Trabalho ao lado dos locais que sediaram os shows e todos os dias me sinto uma melancolia, desânimo ou perplexidade ao passar pela Sé. Ontem não. Estava à vontade, integrado, esquecido dos problemas que acabaram escondidos pela festa. Dei vinho para os catadores de latas. Encontrei muitas pessoas, algumas que nunca esperaria ver.

Houve também brigas. Mas elas não estragaram a aura do evento para mim. Eu já tinha ido embora, fiquei sabendo pela internet. Nada de anormal: foi como um conto de fadas. Entrei num mundo fantástico de alegria e fechei o livro antes da confusão. Como quando lemos as notícias no jornal, tudo muito distante.

E no ano que vem tem virada cultural de novo!

29.4.07

Vida útil de quem trabalha nos canaviais é menor do que a da minha TV

Esse post vai ser sobre uma notícia que li hoje (ou ontem?) no jornal. Lembre-se que são singelos pensamentos de um estudante de jornalismo.

Cortadores de cana têm vida útil de escravo em SP*

Pressionado a produzir mais, trabalhador atua cerca de 12 anos, como na época da escravidão

Conclusão é de pesquisadora da Unesp; usineiros dizem que estão mudando sistema de contratação e que vão melhorar condições

MAURO ZAFALONDA
REDAÇÃO

O novo ciclo da cana-de-açúcar está impondo uma rotina aos cortadores de cana que, para alguns estudiosos, equipara sua vida útil de trabalho à dos escravos. É o lado perverso de um setor que, além de gerar novos empregos e ser um dos principais responsáveis pela movimentação interna da economia, deve exportar US$ 7 bilhões neste ano.
Ao menos 19 mortes já ocorreram nos canaviais de São Paulo desde meados de 2004, supostamente por excesso de trabalho. Preocupados com as condições de trabalho e com a repercussão das mortes, as usinas estão mudando o sistema de contratação desses trabalhadores, antes terceirizados.
A pesquisadora Maria Aparecida de Moraes Silva, professora livre docente da Unesp (Universidade Estadual Paulista), diz que a busca por maior produtividade obriga os cortadores de cana a colher até 15 toneladas por dia. Esse esforço físico encurta o ciclo de trabalho na atividade. "Nas atuais condições, passaram a ter uma vida útil de trabalho inferior à do período da escravidão", diz.
Nas décadas de 1980 e 1990, o tempo em que o trabalhador do setor ficava na atividade era de 15 anos. A partir de 2000, "já deve estar por volta de 12 anos", diz Moraes Silva. Devido à ação repetitiva e ao esforço físico, "ele começa a ter problemas seriíssimos de coluna, nos pés, câimbras e tendinite", afirma.
Para o historiador Jacob Gorender, o ciclo de vida útil dos escravos na agricultura era de 10 a 12 anos até 1850, antes da proibição do tráfico de escravos da África. Depois dessa data, os proprietários passaram a cuidar melhor dos escravos, e a vida útil subiu para 15 a 20 anos.Moraes Silva, que desenvolve pesquisa com o apoio do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) sobre os migrantes cortadores de cana, acaba de voltar do Maranhão e do Piauí, novos pólos de fornecimento de mão-de-obra para São Paulo.
Uma das constatações da professora é que a maior exigência de força física no trabalho está forçando a vinda cada vez maior de jovens.
Aparecida de Jesus Pino Camargo, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Piracicaba (SP), diz que a maioria dos cortadores de cana está na faixa de 25 a 40 anos, mas que há cada vez mais jovens na atividade, com até 18 anos.
Para a pesquisadora, o trabalhador anda de 8 a 9 km por dia, sempre submetido a um grande esforço físico, o que causa sérios problemas à saúde. "Esse trabalho tem provocado uma dilapidação -esse é o termo, não encontro outro- dos trabalhadores", afirma ela.
Moraes Silva, porém, afirma que a situação começa a melhorar. Com pressão do Ministério Público, as usinas estão fazendo exames admissionais e adotaram várias medidas de proteção aos trabalhadores, diz.

*FSP, CADERNO DINHEIRO – 29/04/2007


[Bom, se o lide é a parte “mais importante” da notícia, também será a mais comentada. Por sinal, um lide muito bem feito. O primeiro parágrafo dá a dimensão exata da gravidade da situação. O abismo entre um setor social e outro é do tamanho de 7 bilhões de reais. E esse vão gigantesco (causado por esse “novo ciclo da cana-de-açúcar”, estúpido, que já deu errado uma vez e dará novamente) é cavado por uma imensidão de pessoas que vivem em condições sub-humanas. Irão salvar o planeta do aquecimento global a preço de custo. Quanto altruísmo, não? Um sacrifício que permitirá a continuação da espécie! Mas talvez o sacrifício maior seja mesmo dos usineiros: eles já se preocupam com a situação e estão “mudando o sistema de contratação desses trabalhadores, antes terceirizados”. Acho que ficaria mais apropriado o termo traficados, mas os usineiros são os heróis nacionais. E quem ousaria contestar os heróis pátrios? País exemplar, nacionalismo puro.

Tal superexplorção nos permite comprar um apartamento respeitável de classe média baixa na aldeia global. O presidente dos EUA até veio aqui dar um abraço no nosso. Talvez alguma condolência pelas mortes de, ao menos, 19 escravos no estado de São Paulo. E veja bem, digo escravos porque a pesquisadora diz que estes “trabalhadores” já têm uma vida útil “à do período inferior da escravidão”. Mas não importa, tudo bem, o neoliberalismo tem dessas. Só que, como dizem alguns, eu me contaminei com o “vírus” da esquerda. Um exagero, claro. Eu só acho estranho que a vida útil de trabalho destas pessoas seja menor que a da minha nova televisão.

Way to go, Brazil! País do futuro que perde cada vez mais jovens para o plantio de cana. Em épocas de Pan (um exemplo de como somos organizados para sediar uma Copa do Mundo), podemos dizer que é apenas mais uma modalidade de perder jovens além do vasto mundo do crime, das drogas, das mortes de trânsito. Tem alguns que conseguem virar jogadores de futebol também. Participam do BBB, ganham na mega sena... Sei lá, vivemos numa sociedade que permite mobilidade de classes. Ou não? Dizem que sim, mas acho que estamos engessados.

E tal qual uma criança que quebra o braço e quer jogar bola, esta notícia tem um caráter social, não? De denúncia? De querer quebrar o gesso? Na verdade é só um alerta vazio, pálido, fraco de uma imprensa combalida. Pelo menos incitou o debate aqui neste blog que ninguém lê. Alguém levantou o punho cerrado lá embaixo, na multidão. Que alguém veja, especialmente algum dono de grande jornal. Vai saber ele não resolve me contratar? He.]

24.4.07

E a briga promete esquentar

O senador do PRB pelo Rio de Janeiro Marcelo Crivella e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus propõe mudanças na lei Rouanet de incentivo a cultura. O político quer que as religiões sejam consideradas formas de expressão cultural para que possam receber parcela do orçamento destinado ao incentivo da cultura.

Sabendo que a IURD foi fundada pelo bispo Edir Macedo, dono da TV Record, a pergunta é: com essa alteração na lei a emissora poderia receber dinheiro da Lei Rouanet? A julgar pela manifestação da Rede Glóbulo de Televisão sim, afinal a Globo já deu sinais de insatisfação e de ser contra a medida. No programa do Jô ontem, o âncora fez um comentário editorializado e em tom de deboche contra a medida.

Mais um capítulo da briga que está esquentando a televisão brasileira: Record x Globo. A rede do bispo Macedo já ultrapassa a audiência do SBT em alguns dias e horários e vai se consolidando no segundo lugar entre as emissoras, apesar do doutor Sílvio estar se mobilizando para recuperar o posto perdido.

Olho no lance...

OBS.:
O site do senador Crivella dá a dica: “No Congresso Nacional, tem pautado sua atuação no binômio: justiça para o Rio e redistribuição da renda nacional”. Redistribuição de renda deve ser realmente uma preocupação do bispo. Isso representaria um aumento substancial no recebimento de dízimos. E conseqüentemente um aumento na injeção de dinheiro na Record.