Faltando educação
Gerundismo é falta de educação...
- Alô.
- Sr. Maurício?
- Não, é o filho dele.
- Ah, e que horas eu posso estar encontrando ele em casa?
- Ele viajou, volta daqui a quatro anos só.
- Ah... Aqui é do Credibanco, queria estar falando com ele para perguntar se ele tem interesse na pluma da sorte do hexa. Você saberia se ele estaria tendo interesse?
- Daqui a quatro anos eu pergunto, muito obrigado.
Desliguei o telefone com aquela cara de bunda. Odeio essas empresas de marketing direto que vêm nos atormentar até no sossego de casa – é falta de respeito, consideração. Ainda mais para ofertas estúpidas como essa. Mas, fazer o que? Essas pessoas que ligam não tem nada a ver com isso, não vale a pena ser mal educado – talvez, sendo grosso, eu é que seria mal educado. Afinal aquele é o trabalho deles e pronto.
O problema, à parte da chatice dessas ligações, é o tal do gerundismo. A gente agüenta as ligações e respeita os trabalhadores, mas não suporta o gerundismo. O tal do “vou esta ligando”, “vai estar depositando” e etc é uma pancada nos ouvidos. Fico pensando na minha professora de português e na sua reação a tal vício de linguagem. Ela ficava louca quando nos escutava falar “mendingo” ou “mortandela” só para irritá-la.
Queria que, qualquer dia desses, uma boa alma me explicasse porque usam o gerundismo. Ouvi dizer que é por causa da tradução dos manuais americanos de telemarketing. Mas não faz sentido: lá o gerúndio é amplamente usado e correto nesses casos, mas por aqui não. Que raio de pessoa traduz alguma coisa para o português sem conhecer o idioma? O erro começa por aí.
Mas não pára nesse ponto. Aliás, pensando bem, o erro começa muito antes da tradução, começa na escola. É falta de educação. Literalmente. É a prova de que o brasileiro desconhece a língua pátria – pra ser bem piegas. Não que eu seja o sucessor do professor Pasquale, mas “estar fazendo” na verdade é farei. O nome disso é futuro – e quando falamos de falta de educação, não é brincadeira, afinal estamos falando do nosso futuro.
Queria saber se o Ministro da Educação recebe essas ligações. E como se sente, se recebe.
- Alô.
- Sr. Maurício?
- Não, é o filho dele.
- Ah, e que horas eu posso estar encontrando ele em casa?
- Ele viajou, volta daqui a quatro anos só.
- Ah... Aqui é do Credibanco, queria estar falando com ele para perguntar se ele tem interesse na pluma da sorte do hexa. Você saberia se ele estaria tendo interesse?
- Daqui a quatro anos eu pergunto, muito obrigado.
Desliguei o telefone com aquela cara de bunda. Odeio essas empresas de marketing direto que vêm nos atormentar até no sossego de casa – é falta de respeito, consideração. Ainda mais para ofertas estúpidas como essa. Mas, fazer o que? Essas pessoas que ligam não tem nada a ver com isso, não vale a pena ser mal educado – talvez, sendo grosso, eu é que seria mal educado. Afinal aquele é o trabalho deles e pronto.
O problema, à parte da chatice dessas ligações, é o tal do gerundismo. A gente agüenta as ligações e respeita os trabalhadores, mas não suporta o gerundismo. O tal do “vou esta ligando”, “vai estar depositando” e etc é uma pancada nos ouvidos. Fico pensando na minha professora de português e na sua reação a tal vício de linguagem. Ela ficava louca quando nos escutava falar “mendingo” ou “mortandela” só para irritá-la.
Queria que, qualquer dia desses, uma boa alma me explicasse porque usam o gerundismo. Ouvi dizer que é por causa da tradução dos manuais americanos de telemarketing. Mas não faz sentido: lá o gerúndio é amplamente usado e correto nesses casos, mas por aqui não. Que raio de pessoa traduz alguma coisa para o português sem conhecer o idioma? O erro começa por aí.
Mas não pára nesse ponto. Aliás, pensando bem, o erro começa muito antes da tradução, começa na escola. É falta de educação. Literalmente. É a prova de que o brasileiro desconhece a língua pátria – pra ser bem piegas. Não que eu seja o sucessor do professor Pasquale, mas “estar fazendo” na verdade é farei. O nome disso é futuro – e quando falamos de falta de educação, não é brincadeira, afinal estamos falando do nosso futuro.
Queria saber se o Ministro da Educação recebe essas ligações. E como se sente, se recebe.
