7.10.06

Meu amigo astronauta

Acho que uma das coisas que mais gosto na televisão é a hora do intervalo. Nenhuma novidade até aí: o canal Multishow exibe o “Na hora do intervalo” com comerciais do mundo inteiro. Certo que só assisto quando passo pelo canal, o que já é coisa rara, e esbarro nele por acaso. Mas curto “analisar” as vinhetas e decidir se são boas ou ruins.

A propaganda feita no Brasil é considerada uma das melhores do mundo. Isso acaba reforçando o senso comum que afirma que o brasileiro é muito criativo, o que alimenta a idéia de que o brasileiro é malandro: todo malandro tem que ser criativo para se virar. Mas não vou prosseguir com esse tratado sociológico, quero falar de publicidade.

Gosto dos comerciais por causa das “sacadas”. Pra citar uma, a do Sedex, dos Correios. Um pequeno empresário, no seu escritório simples e arrumadinho, fala com um comprador pelo telefone. Ele exalta a sua frota, diz que ela alcança o Brasil inteiro e que chega rápido. O comerciante então fecha negócio. Contente, o empresário vai até a janela e dá um grito pra uma pessoa que mexe num apiário: “O Zé [algum nome assim], empacota mais um lote logo, homi!”.

Achei uma boa “sacada” essa – fazer propaganda em que um pequeno empresário se dá bem graças ao serviço oferecido pela empresa: a possibilidade dele sair do quintal e crescer junto com empresa, não é preciso ter uma frota, a empresa tem uma muito boa. Legal, muito legal. Espero que tenha me feito claro, mas se vocês também gostam da hora do intervalo fiquem atentos a essa. Eu, grande autoridade de publicidade e propaganda, recomendo!


Aliás, se fosse autoridade mesmo e tivesse que dar um prêmio a um comercial, já saberia qual seria a minha escolha – que é o motivo do texto por sinal.

Uma garotinha bonitinha, fofinha, que parece uma boneca, faz um caminho inteiro, sozinha, segurando na mão de um astronauta que flutua ao lado dela. Prova da qualidade da produção, deve ter sido difícil fazer um negócio desses – tecnicamente ficou perfeito. A garota e o seu amigo astronauta estão a caminho do banco Itaú, essa é a parte comercial. Ela entra numa agência, já sem o companheiro do lado, e coloca um livro numa caixa de papelão: o título é “Meu amigo astronauta”, com um desenho igual ao que acompanha a menina o tempo inteiro. O comercial, explica o narrador, é de uma campanha de arrecadação de livros para redistribuição entre crianças carentes. Corta a cena e aparece um garotinho lendo o livro – atrás dele, o astronauta.

Que “sacada”! Vejo naquele filme publicitário um valor simbólico muito grande. Entendo que o livro e a leitura são fundamentais para construir um país decente, sem querer soar piegas (inclusive votei no candidato à presidente que só tinha uma proposta, Cristovam Buarque). Há um tempo eu li uma matéria, da Veja, sobre como outros países emergentes conseguiram se consolidar no cenário internacional, passaram a produzir tecnologia e conhecimento e de por que o Brasil não conseguia fazer o mesmo. A resposta que a matéria oferecia era a educação – coisa intimamente ligada ao livro e a leitura. A outra parte do valor simbólico é a criança, responsável pelo sonho de um mundo melhor – novamente sem querer soar piegas. Ainda tem a mensagem de caridade, solidariedade e outros elementos que me marcaram menos.

Não sei porque fique encantado: pode ter sido a menininha, que realmente é muito bonitnha. Pode até não ser nada de mais – é só uma propaganda de um banco que, enquanto a pobreza cresce, bate recordes de lucro. Uma contradição frente a toda aquela simbologia, mas um assunto como esse demandaria muito tempo e informação que não tenho.

Então, the Oscar goes to “Meu amigo astronauta”!

P.S.: Claro que existem propagandas horríveis, algumas chegam a me dar raiva. Tem um comercial de carro realmente imbecil, sem "sacada" alguma: o texto é horrível, um homem de idade avançada tenta convencer um outro mais jovem (os dois tratados como sujeito indeterminado) de que carro é tudo igual enquanto o filme mostra as vantagens do carro; a música não me agrada e a "piada" é extremamente infeliz: dizendo que carro é tudo igual, afirma que ele só serve para levar passageiros (nesse ponto três mulheres bonitas entram no carro). A idéia que me passa é que o publicitário pensa que mulher é tudo igual - nada mais longe da verdade!

3 Comments:

Blogger madamecarlota said...

Di, o que eu mais gosto no seu blog e em vc é o seu jeito despojado de ser simples. E a simplicidade é linda! Eu adorei esse comercial do astronauta e ele me fez lembrar um outro que eu amava. Que passava há algum tempo atrás. Era da petrobrás, ou algum órgão de preservação, não sei ao certo. Que tinha um avô com os 2 netinhos, deitados na areia da praia esperando as tartaruguinhas saírem do ovo e correrem pro mar. Me emocionava mto. Saudadonas querido! Continue assim, simples! Bejo grande

9:02 AM  
Blogger Corda said...

Vlw Carlotita!!

2:27 PM  
Anonymous Anônimo said...

Ae Corda, caralho, de todos q eu li eu diria q esse tá entre o Top 5 tá ligado?
Curti pacas, só nao entendi uma paradinha ae mas depois eu te pergunto pq sou um cara tímido que tem vergonha de mostrar a cara na internet.
Olha, taí um enigma pra vc: "WHO AM IIIIIIIIIIIIIII?" (Citando Jackie Chan no topo de um morro em um de seus clássicos filmes, hahahahah!!!)

6:25 PM  

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