O que é TC?
Bom, hoje começo a série de postagens sobre a Teorica Crítica. Como disse, vou começar pela sua definição e início, com Karl Marx. O texto foi tirado do wikipedia:
"Teoria Crítica da Sociedade é o modelo de teoria que, contrapondo-se à Teoria Tradicional, de tipo cartesiano, busca unir teoria e prática, ou seja, incorporar ao pensamento tradicional dos filósofos uma tensão com o presente. A Teoria Crítica da Sociedade tem um início definido a partir de uma ensaio-manifesto, publicado por Max Horkheimer em 1937, intitulado "Teoria Tradicional e Teoria Crítica". Foi utilizada, criticada e superada por diversos pensadores e cientistas sociais, em face de sua própria construção como teoria, que é auto-crítica por definição. A Teoria Crítica é comumente associada à Escola de Frankfurt."
Quem quiser ler a caracterização e as propostas da TC é só clicar no link ou pesquisar mais na internet - aqui eu vou colocar apenas uma citação do "ensaio-manifesto", que está no mesmo link, bem auto explicativa:
"Em meu ensaio’Teoria Tradicional e Teoria Crítica’ apontei a diferença entre dois métodos gnosiológicos. Um foi fundamentado no Discours de la Méthode[Discurso sobre o Método], cujo jubileu de publicação se comemorou neste ano, e o outro, na crítica da economia política. A teoria em sentido tradicional, cartesiano, como a que se encontra em vigor em todas as ciências especializadas, organiza a experiência a base da formulação de questões que surgem em conexão com a reprodução da vida dentro da sociedade atual. Os sistemas das disciplinas contem os conhecimentos de tal forma que, sob circunstancias dadas, são aplicáveis ao maior número possível de ocasiões. A gênese social dos problemas, as situações reais, nas quais a ciência é empregada e os fins perseguidos em sua aplicação, são por ela mesma consideradas exteriores. – A teoria crítica da sociedade. ao contrário, tem como objeto os homens como produtores de todas as suas formas históricas de vida. As situações efetivas, nas quais a ciência se baseia, não é para ela uma coisa dada, cujo único problema estaria na mera constatação e previsão segundo as leis da probabilidade. O que é dado não depende apenas da natureza, mas também do poder do homem sobre ela. Os objetos e a espécie de percepção, a formulação de questões e o sentido da resposta dão provas da atividade humana e do grau de seu poder." (Max Horkheimer, Filosofia e Teoria Crítica, 1968, em Textos Escolhidos, Coleção Os Pensadores, p. 163)
Agora que temos alguma noção bem básica, vou para o conteúdo da aula, dada por Marcos Nobre, do Curso Livre de Teoria Crítica do Instituto Goethe de São Paulo (confira aqui a programação do curso - arquivo PDF).
A TC teve como precursor“O Capital”, de Karl Marx. A obra lança a base da TC de que é preciso analisar o presente e o passado para entender como o mundo funciona para que seja possível estabelecer um movimento dialético no sentido da emancipação. Tratando do capitalismo e da sociedade industrial do século XIX, Marx faz um diagnóstico preciso e profundo do seu momento presente e, a partir dele, propõe uma organização econômica alternativa (infra-estreutura), e por consequência uma organização alternativa de todas as outras esferas sociais como a poítica e a ciência (superestrutura), ao capitalismo, baseada nos ideais dos socialistas utópicos.
A idéia aqui não é debater sobre o marxismo, mesmo porque não tenho competência para isso. Mas essa novidade que Marx trouxe veio da constatação de que faltava aos socialistas utópicos "sentido prático" - daí o conceito de práxis marxista: o movimento político, a ação política e a necessidade de unir a teoria à prática. Portanto seria difícil para os socialistas utópicos atingir o socialismo, pois o capitalismo é como erva daninha: abarca todas as áreas da atuação humana, por isso a sua análise crítica deve compreender todo o raio de atuação do homem na história, e destrói as formas tradicionais de dominação para estabelecer outras. Percebendo que esse modo de organização tem uma capacidade grande de adaptação, qualquer tentativa de construção de um sistema alternativo ao capitalismo fora dele é impossível.
Por isso é fundamental a análise do presente, para que os vetores sejam traçados de acordo com os eventuais obstáculos que a mudança pode oferecer e de acordo com as tendências de desenvolvimento do capitalismo e a ação no sentido da emancipação possa ser possível. Isso traz à TC a constante necessidade de atualização, depois da leitura do passado e dos fatores que construíram o presente, e ajuda a justificar a preferência dos seus autores por escrever ensaios, que tem caráter transitório e não fixo.
O que anotei da aula está condensado aí nesse texto, que dá uma idéia da onde a TC veio e dos seus princípios básicos. Entendo que estudar essa teoria é importantíssimo para qualquer pessoa que deseja se comprometer com a transformação do mundo - e é por isso que eu iniciei essa série de postagens!
A próxima será sobre Walter Benjamin e a arte na era da reprodutibilidade técnica! Até lá!
"Teoria Crítica da Sociedade é o modelo de teoria que, contrapondo-se à Teoria Tradicional, de tipo cartesiano, busca unir teoria e prática, ou seja, incorporar ao pensamento tradicional dos filósofos uma tensão com o presente. A Teoria Crítica da Sociedade tem um início definido a partir de uma ensaio-manifesto, publicado por Max Horkheimer em 1937, intitulado "Teoria Tradicional e Teoria Crítica". Foi utilizada, criticada e superada por diversos pensadores e cientistas sociais, em face de sua própria construção como teoria, que é auto-crítica por definição. A Teoria Crítica é comumente associada à Escola de Frankfurt."
Quem quiser ler a caracterização e as propostas da TC é só clicar no link ou pesquisar mais na internet - aqui eu vou colocar apenas uma citação do "ensaio-manifesto", que está no mesmo link, bem auto explicativa:
"Em meu ensaio’Teoria Tradicional e Teoria Crítica’ apontei a diferença entre dois métodos gnosiológicos. Um foi fundamentado no Discours de la Méthode[Discurso sobre o Método], cujo jubileu de publicação se comemorou neste ano, e o outro, na crítica da economia política. A teoria em sentido tradicional, cartesiano, como a que se encontra em vigor em todas as ciências especializadas, organiza a experiência a base da formulação de questões que surgem em conexão com a reprodução da vida dentro da sociedade atual. Os sistemas das disciplinas contem os conhecimentos de tal forma que, sob circunstancias dadas, são aplicáveis ao maior número possível de ocasiões. A gênese social dos problemas, as situações reais, nas quais a ciência é empregada e os fins perseguidos em sua aplicação, são por ela mesma consideradas exteriores. – A teoria crítica da sociedade. ao contrário, tem como objeto os homens como produtores de todas as suas formas históricas de vida. As situações efetivas, nas quais a ciência se baseia, não é para ela uma coisa dada, cujo único problema estaria na mera constatação e previsão segundo as leis da probabilidade. O que é dado não depende apenas da natureza, mas também do poder do homem sobre ela. Os objetos e a espécie de percepção, a formulação de questões e o sentido da resposta dão provas da atividade humana e do grau de seu poder." (Max Horkheimer, Filosofia e Teoria Crítica, 1968, em Textos Escolhidos, Coleção Os Pensadores, p. 163)
Agora que temos alguma noção bem básica, vou para o conteúdo da aula, dada por Marcos Nobre, do Curso Livre de Teoria Crítica do Instituto Goethe de São Paulo (confira aqui a programação do curso - arquivo PDF).
A TC teve como precursor“O Capital”, de Karl Marx. A obra lança a base da TC de que é preciso analisar o presente e o passado para entender como o mundo funciona para que seja possível estabelecer um movimento dialético no sentido da emancipação. Tratando do capitalismo e da sociedade industrial do século XIX, Marx faz um diagnóstico preciso e profundo do seu momento presente e, a partir dele, propõe uma organização econômica alternativa (infra-estreutura), e por consequência uma organização alternativa de todas as outras esferas sociais como a poítica e a ciência (superestrutura), ao capitalismo, baseada nos ideais dos socialistas utópicos.
A idéia aqui não é debater sobre o marxismo, mesmo porque não tenho competência para isso. Mas essa novidade que Marx trouxe veio da constatação de que faltava aos socialistas utópicos "sentido prático" - daí o conceito de práxis marxista: o movimento político, a ação política e a necessidade de unir a teoria à prática. Portanto seria difícil para os socialistas utópicos atingir o socialismo, pois o capitalismo é como erva daninha: abarca todas as áreas da atuação humana, por isso a sua análise crítica deve compreender todo o raio de atuação do homem na história, e destrói as formas tradicionais de dominação para estabelecer outras. Percebendo que esse modo de organização tem uma capacidade grande de adaptação, qualquer tentativa de construção de um sistema alternativo ao capitalismo fora dele é impossível.
Por isso é fundamental a análise do presente, para que os vetores sejam traçados de acordo com os eventuais obstáculos que a mudança pode oferecer e de acordo com as tendências de desenvolvimento do capitalismo e a ação no sentido da emancipação possa ser possível. Isso traz à TC a constante necessidade de atualização, depois da leitura do passado e dos fatores que construíram o presente, e ajuda a justificar a preferência dos seus autores por escrever ensaios, que tem caráter transitório e não fixo.
O que anotei da aula está condensado aí nesse texto, que dá uma idéia da onde a TC veio e dos seus princípios básicos. Entendo que estudar essa teoria é importantíssimo para qualquer pessoa que deseja se comprometer com a transformação do mundo - e é por isso que eu iniciei essa série de postagens!
A próxima será sobre Walter Benjamin e a arte na era da reprodutibilidade técnica! Até lá!

3 Comments:
Bom, permito-me fazer pequenas considerações, dentro da minha limitada capacidade. Marx não dialóga com os socialistas utópicos, mas sim com Hegel. Assim, sua primeira inovação filosófica fora a inversão da dialética hegeliana (Hegel equiparou a razão e a realidade. No entanto, o motor de sua dialética era a razão. Na concepção de Marx, o movimento era contrário).
Só para finalizar, o conceito de práxis não é este ai posto. A práxis é o preceito da verdade, ou seja, a busca do cerne das contradições. Em sua época, a práxis era capital x trabalho, ou seja, as relações de produção.
Á guisa de explicação do post acima, terei prova de filosofia hoje. Estou reforçando os conceitos, rs
Eu entendo que o diálogo de Marx com os utópicos é inevitável, afinal o sistema alternativo que ele propõe é o socilaismo dito real. Sobre a dialética, não entendo suficientemente do assunto, mas sabendo que Marx é um materialis, provavelmente vc tem razão. E sobre o conceito de práxis, essa definição que eu dei foi com a ajuda do Gáliz. Pode ser simplista, mas como disse, não entendo suficientemente do assunto.
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