1.10.06

Pensamento sobre o debate do dia 28/09

O sentimento que esse debate a presidência provocou em mim foi de vazio. Primeiro e não menos importante, os candidatos chamados de “nanicos” não foram convidados a comparecer pela empresa que organizou o debate. É algo óbvio saber que eles não têm reais chances de vencer o pleito, mas o propósito do debate é justamente debater idéias para construir de forma real o processo democrático. É uma falta de “sentimento”, “espírito” democrático muito grande da empresa. Ou uma falta de compromisso incrível, como diz minha mãe quando me dá alguma bronca. Tivessem sido convocados para o debate ao menos para atacar o presidente suspeito de corrupção.

(Há quem possa dizer que isso iria empobrecer o debate por não otimizar o pouco tempo disponível para explorar melhor os candidatos com “reais” chances de vitória. Mas como enriquecer um debate que é feito depois da novela das nove, num horário que ninguém assiste?)

Em segundo lugar, e ainda mais sensível, é a ausência de Lula. Ora, ele foi convidado e o mínimo que o presidente deveria ter feito era comparecer ao evento para prestar alguma explicação pro povo (tudo bem que o eleitorado dele não deve assistir a debates na TV, mas nós, apesar de tudo, fazemos parte do povo). Deixar os adversários baterem a vontade por achar que já está reeleito também atesta descaso, ou culpa, e permitir o clima golpista é covardia – afinal ele não evoca sempre o nome da democracia para se defender?

A sorte do candidato do PT é que o seu principal adversário, antes de qualquer problema, é uma pessoa sem... Como dizer? Estrela? Ou, como costumam dizer os engraçadinhos, por que ele parece um picolé de chuchu? Além desse problema, e isso penso ser uma coisa mais minha do que dos outros, ele não apresenta nenhuma proposta elaborada, não responde a nenhuma pergunta sem generalizações. Não quero dizer com isso que ele é pior que os outros – na verdade, todos são iguais. “A diferença entre os candidatos é apenas adjetiva e não estrutural”, como diria Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL – o único que parece ter capacidade e coragem de provocar o debater de idéias.

O que esperamos de alguém que não apela para baixarias é que ele responda com classe às perguntas, que demonstre a sua pretensa “erudição” e exiba seu diploma. Essa situação desperta em mim, e creio que em outros, a descrença e isso me leva a considerar votar nos candidatos “alternativos”. No homem da educação ou numa mulher combativa, com garra e que não iria conseguir emplacar nenhuma proposta – a governabilidade é um fator chave no jogo político e alguns desconsideram isso. “Pelo menos ela fala alguma coisa”, penso de mim pra mim de vez em quando.

Esse debate morno e de, por que não, baixo nível, foi um bode. Um morde e assopra danado – deveria ter ido dormir no meu horário normal e ler a edição turva da imprensa no dia seguinte. É realmente foda quando nos desencantamos do mundo...