Sherlock Holmes, a verdade e o Jornalismo
Sherlock Holmes neles!
Há algum tempo me esqueci de que o melhor de fazer uma festa de aniversário: são os presentes. Mas tem que ser uma festa mesmo, onde os amigos mais queridos se reúnem para conversar e não aquelas baladas combinadas num lugar pouco “intimista”. Apesar de algumas delas serem bem legais, as baladas têm uma desvantagem: se você ganha algum presente, ganha menos do que se desse uma festa, por assim dizer, tradicional.
Lembrei disso porque fiz aniversário em fevereiro e meus pais fizeram uma festa pra mim. Foi fantástica, muito legal mesmo. Por essas e outras que eles são foda. O tema da festa (toda boa festa tem um tema) foi boteco. Tentamos recriar um ambiente botecal. Compramos um monte de cerveja, chamamos um amigo para fazer um fundo de violão e voz para que os convidados conversassem. E claro, ganhei alguns presentes.
A maioria dos agrados foram camisas. Ganhei também um DVD que confesso que ainda não assisti. Ganhei também dois livros, um do Arnaldo Jabor e outro um volume com todos os contos do famoso detetive inglês Sherlock Holmes. É uma edição muito bonita, ilustrada e comentada por autoridades no assunto. Nunca tinha lido nenhuma linha dos contos de Arthur Conan Doyle e fiquei fascinado com as histórias e especialmente a capacidade que Sherlock Holmes tem de perceber as coisas mais elementares para solucionar os problemas mais diversos.
É mais do que claro que a capacidade de dedução de Sherlock Holmes é fantasiosa, aumentada a um grau que seria inalcansável a qualquer ser humano que não habite uma história de não-ficção. Mas temos muito que aprender com o detetive inglês. Uma das coisas mais interessantes que Holmes diz é que os casos extraordinários são mais fáceis de resolver do que os menores, pois as variantes são reduzidas. Para o detetive os casos que aparentam maior simplicidade são os que mais merecem atenção, são os mais difíceis de resolver.
A principal lição que posso tirar das leituras dos casos de Holmes é que a verdade está na nossa cara – sempre. Nós que não a percebemos. Quando Watson pergunta ao amigo como ele consegue perceber tantas coisas, fazer as deduções brilhantes que alçaram Holmes a fama, ele responde (e deve ter respondido com uma serenidade acompanhada de um sorriso irônico) que o segredo está em reparar nas coisas. Olhamos, mas não enxergamos. Isso nos impede de perceber as coisas como realmente são. Impede a solução rápida e eficaz de casos de polícia. Impede o conhecimento real das coisas.
A verdade está na nossa cara. Nós que não conseguimos enxergá-la. Olhamos para ela a todo momento, mas não conseguimos entender o que é a verdade. A pobreza, as crianças sem infância, a violência, a fome e tudo o mais que estamos cansados de ver na TV ou no jornal e que não enxergamos quando estamos na rua. Como se a vida fosse um conto de Conan Doyle e estivéssemos esperando Holmes aparecer para dar um jeito nas coisas. Uma cretinice só, uma hipocrisia sem tamanho, uma comodidade absurda. É assim que somos – especialmente nós, jornalistas.
Se eu fosse o coordenador de alguma faculdade de jornalismo tornaria obrigatória a leitura das aventuras de Sherlock Holmes para ver se os estudantes de jornalismo, futuros jornalistas babacas, sem consciência, sem vontade de cumprir a tarefa máxima do jornalismo aprendem a enxergar as coisas; aprendem que citar negociatas e reproduzir declarações não é jornalismo. Para ver se entendem que a vida é real, que aquilo que vemos na rua realmente acontece. Para mostrar que para justificar o nome de jornalista e subverter a realidade é preciso ser questionador, atento às coisas, consciente, integrado, ligado.
Sherlock Holmes neles!
Há algum tempo me esqueci de que o melhor de fazer uma festa de aniversário: são os presentes. Mas tem que ser uma festa mesmo, onde os amigos mais queridos se reúnem para conversar e não aquelas baladas combinadas num lugar pouco “intimista”. Apesar de algumas delas serem bem legais, as baladas têm uma desvantagem: se você ganha algum presente, ganha menos do que se desse uma festa, por assim dizer, tradicional.
Lembrei disso porque fiz aniversário em fevereiro e meus pais fizeram uma festa pra mim. Foi fantástica, muito legal mesmo. Por essas e outras que eles são foda. O tema da festa (toda boa festa tem um tema) foi boteco. Tentamos recriar um ambiente botecal. Compramos um monte de cerveja, chamamos um amigo para fazer um fundo de violão e voz para que os convidados conversassem. E claro, ganhei alguns presentes.
A maioria dos agrados foram camisas. Ganhei também um DVD que confesso que ainda não assisti. Ganhei também dois livros, um do Arnaldo Jabor e outro um volume com todos os contos do famoso detetive inglês Sherlock Holmes. É uma edição muito bonita, ilustrada e comentada por autoridades no assunto. Nunca tinha lido nenhuma linha dos contos de Arthur Conan Doyle e fiquei fascinado com as histórias e especialmente a capacidade que Sherlock Holmes tem de perceber as coisas mais elementares para solucionar os problemas mais diversos.
É mais do que claro que a capacidade de dedução de Sherlock Holmes é fantasiosa, aumentada a um grau que seria inalcansável a qualquer ser humano que não habite uma história de não-ficção. Mas temos muito que aprender com o detetive inglês. Uma das coisas mais interessantes que Holmes diz é que os casos extraordinários são mais fáceis de resolver do que os menores, pois as variantes são reduzidas. Para o detetive os casos que aparentam maior simplicidade são os que mais merecem atenção, são os mais difíceis de resolver.
A principal lição que posso tirar das leituras dos casos de Holmes é que a verdade está na nossa cara – sempre. Nós que não a percebemos. Quando Watson pergunta ao amigo como ele consegue perceber tantas coisas, fazer as deduções brilhantes que alçaram Holmes a fama, ele responde (e deve ter respondido com uma serenidade acompanhada de um sorriso irônico) que o segredo está em reparar nas coisas. Olhamos, mas não enxergamos. Isso nos impede de perceber as coisas como realmente são. Impede a solução rápida e eficaz de casos de polícia. Impede o conhecimento real das coisas.
A verdade está na nossa cara. Nós que não conseguimos enxergá-la. Olhamos para ela a todo momento, mas não conseguimos entender o que é a verdade. A pobreza, as crianças sem infância, a violência, a fome e tudo o mais que estamos cansados de ver na TV ou no jornal e que não enxergamos quando estamos na rua. Como se a vida fosse um conto de Conan Doyle e estivéssemos esperando Holmes aparecer para dar um jeito nas coisas. Uma cretinice só, uma hipocrisia sem tamanho, uma comodidade absurda. É assim que somos – especialmente nós, jornalistas.
Se eu fosse o coordenador de alguma faculdade de jornalismo tornaria obrigatória a leitura das aventuras de Sherlock Holmes para ver se os estudantes de jornalismo, futuros jornalistas babacas, sem consciência, sem vontade de cumprir a tarefa máxima do jornalismo aprendem a enxergar as coisas; aprendem que citar negociatas e reproduzir declarações não é jornalismo. Para ver se entendem que a vida é real, que aquilo que vemos na rua realmente acontece. Para mostrar que para justificar o nome de jornalista e subverter a realidade é preciso ser questionador, atento às coisas, consciente, integrado, ligado.
Sherlock Holmes neles!

1 Comments:
AMEI!!
Sem mais!
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