Canalhice e mais canalhice
E o Lula, hein? Grande líder sindical, primeiro presidente dito de esquerda da história do país. Especialista em reclamar e cobrar soluções que nunca vêm. Chegou ao poder cercado de expectativas e decepcionou. Conseguiu a reeleição – as expectativas excederam os desapontamentos. E mais uma vez, o presidente vai decepcionando.
É só o que podemos dizer da gestão Lula. Especialmente a maioria que o conduziu e o reconduziu ao poder. Operários da Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, estão experimentando bem o governo do povo. Ao ocuparem a instalação para reivindicar direitos despertaram a ira do patronato. E o patrão neste caso é o Lula, que mandou o exército lidar com a situação. Como os ditadores militares faziam nos grandes comícios do ABC no início dos anos 1980.
A semelhança com um estado policial não pode deixar de ser notada nesta situação. O direito de reivindicar e de se manifestar livremente é garantia constitucional. Prefiro me manter a parte da discussão de escândalos e “apagões”. Tais problemas são processos históricos. O que espanta é a delicadeza de um elefante com o ego lá em cima para lidar com a situação no Pará.
Bem disse a associação de magistrados, que não me recordo o nome agora, que algumas posturas do governo são dignas de um governo autoritário. Tal manifestação foi motivada pelo episódio que envolve o ministro do STF Gilmar Mendes e a PF – que vazou o nome de Mendes e causou constrangimento público ao ministro, que classificou o ocorrido como canalhice.
Sem dúvida uma canalhice, prova de que a PF é muitas vezes usada como instrumento político. Uma pena que a associação de magistrados tenha apenas se manifestado em relação ao “episódio Mendes”, quando deveria também – e principalmente – ter se manifestado no caso dos trabalhadores paraenses. Mas os juristas pouco se importam com os trabalhadores.
O espaço dado na mídia para os dois assuntos também é desproporcional. Preocupada com as fofocas do planalto a imprensa se esquece da sua função social e da sua importância no debate público acerca de questões que interessem a maioria. E o exército em cima dos trabalhadores.
E já que estamos falando na mídia, a cobertura da ocupação da USP também é lamentável. Apenas fontes que estão do lado oposto dos estudantes na ocupação da reitoria ganham relevância, sendo os alunos tratados como foras da lei e baderneiros. O que se percebe é justamente o contrário. Os foras da lei, pelo menos moralmente, são o governo de SP, a Justiça que impôs a desocupação e a PM que pode usara força – até desproporcionalmente, como de costume – para retirar os estudantes.
Mesmo dando algum espaço para o sindicato de trabalhadores, para os professores da USP e para um ou outro manifestante, o que tira a força da manifestação, que está justamente na coesão dos alunos, é insuficiente. Prova é que nenhum grande veículo publicou o documento produzido pelos estudantes no qual eles se defendem, explicam sua posição e as suas reivindicações.
Mas é isso mesmo, dr. Gilmar Mendes. A canalhice impera no Brasil. E para nossa infelicidade, ela se estende além do nome do senhor.
É só o que podemos dizer da gestão Lula. Especialmente a maioria que o conduziu e o reconduziu ao poder. Operários da Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, estão experimentando bem o governo do povo. Ao ocuparem a instalação para reivindicar direitos despertaram a ira do patronato. E o patrão neste caso é o Lula, que mandou o exército lidar com a situação. Como os ditadores militares faziam nos grandes comícios do ABC no início dos anos 1980.
A semelhança com um estado policial não pode deixar de ser notada nesta situação. O direito de reivindicar e de se manifestar livremente é garantia constitucional. Prefiro me manter a parte da discussão de escândalos e “apagões”. Tais problemas são processos históricos. O que espanta é a delicadeza de um elefante com o ego lá em cima para lidar com a situação no Pará.
Bem disse a associação de magistrados, que não me recordo o nome agora, que algumas posturas do governo são dignas de um governo autoritário. Tal manifestação foi motivada pelo episódio que envolve o ministro do STF Gilmar Mendes e a PF – que vazou o nome de Mendes e causou constrangimento público ao ministro, que classificou o ocorrido como canalhice.
Sem dúvida uma canalhice, prova de que a PF é muitas vezes usada como instrumento político. Uma pena que a associação de magistrados tenha apenas se manifestado em relação ao “episódio Mendes”, quando deveria também – e principalmente – ter se manifestado no caso dos trabalhadores paraenses. Mas os juristas pouco se importam com os trabalhadores.
O espaço dado na mídia para os dois assuntos também é desproporcional. Preocupada com as fofocas do planalto a imprensa se esquece da sua função social e da sua importância no debate público acerca de questões que interessem a maioria. E o exército em cima dos trabalhadores.
E já que estamos falando na mídia, a cobertura da ocupação da USP também é lamentável. Apenas fontes que estão do lado oposto dos estudantes na ocupação da reitoria ganham relevância, sendo os alunos tratados como foras da lei e baderneiros. O que se percebe é justamente o contrário. Os foras da lei, pelo menos moralmente, são o governo de SP, a Justiça que impôs a desocupação e a PM que pode usara força – até desproporcionalmente, como de costume – para retirar os estudantes.
Mesmo dando algum espaço para o sindicato de trabalhadores, para os professores da USP e para um ou outro manifestante, o que tira a força da manifestação, que está justamente na coesão dos alunos, é insuficiente. Prova é que nenhum grande veículo publicou o documento produzido pelos estudantes no qual eles se defendem, explicam sua posição e as suas reivindicações.
Mas é isso mesmo, dr. Gilmar Mendes. A canalhice impera no Brasil. E para nossa infelicidade, ela se estende além do nome do senhor.

1 Comments:
Diii
E a capa da Vejinha essa semana? Quase nazifascista! eles tinham que escrever só sobre os velhinhos do Pacaembu, que é o que se imagina de público-alvo.
Um desserviço, como diria um caro professor nosso.
hehehehehe
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